Moeda virtual para criar as trocas digitais, leia a Reportagem de Talita Moreira De São Paulo

Um colégio em Goiânia adotou uma solução inusitada para reduzir a inadimplência. Abriu aos pais de alunos com mensalidade em atraso a possibilidade de oferecer serviços ou produtos a terceiros para quitar a dívida. Ninguém precisou tirar um centavo do bolso. As transações foram feitas por meio de uma plataforma de permutas multilaterais, a X p o r Y. c o m.

A escola já era usuária do site, em que os associados anunciam suas capacidades e são remunerados com uma moeda virtual utilizada para adquirir bens dentro da própria plataforma. “O propósito do negócio é monetizar a ociosidade”, afirma o engenheiro Rafael Barbosa, fundador da XporY.com. A empresa é um exemplo de um mercado ainda pequeno no Brasil, mas em expansão. Nos Estados Unidos, o setor de permutas multilaterais movimenta entre US$ 12 bilhões e US$ 14 bilhões por ano, segundo a Internacional Reciprocal Trade Association (IRTA), que representa as companhias do segmento.

Fazer permutas é uma prática comum no mundo empresarial, especialmente nas atividades ligadas a serviços. Porém, o modelo habitual pressupõe que duas companhias troquem capacidades entre elas — por exemplo, uma rede hoteleira oferece estadia aos funcionários de uma fornecedora de alimentos usados para preparar o café da manhã dos hóspedes. Não se usa dinheiro, mas só há negócio se os interesses coincidirem, e isso nem sempre acontece.

Na permuta multilateral, afirma Barbosa, as possibilidades são muito mais abrangentes. Os associados anunciam seus produtos e, uma vez que eles são vendidos, ficam com créditos para consumir qualquer coisa listada no site. É uma relação de um para vários, e não de um para um.

Todo mundo tem ociosidade e todo mundo tem despesas. Está cheio de escolas de inglês com salas vazias, hotéis com quartos vazios, salões de beleza com espaços vagos”, diz Barbosa. “Pego o que estou desperdiçando e troco por outras coisas que preciso sem usar dinheiro.

Na X por Y, as transações são feitas com “X”, uma moeda virtual em que cada unidade equivale a R$ 1. Esses créditos não podem ser sacados. Os anúncios são gratuitos, e as empresas pagam uma comissão de 10% ao site — aí sim em dinheiro — a cada negócio fechado.

A companhia nasceu em Goiânia em 2014 e hoje tem mais de 7 mil associados, segundo Barbosa. Empresas de mídia, hospedagem e eventos são algumas das categorias de usuários mais frequentes. A plataforma movimenta por mês mais de 3 milhões em X — o equivalente a R$ 3 milhões — e a expectativa é fechar o ano acima de R$ 5 milhões.

Agora, a XporY.com está em processo de expansão. A empresa vai lançar suas operações em São Paulo a partir da Feira do Empreendedor, que será realizada na capital paulista no início de outubro. Para ganhar escala, Barbosa aposta em um programa que vai remunerar empreendedores que atraírem clientes para a plataforma de trocas.

A partir da expansão para São Paulo e, posteriormente, outras cidades, a expectativa do empresário é que em dois anos a X por Y tenha a diversidade necessária para que as trocas sejam cada vez mais fluidas. Outra frente em que Barbosa espera crescer é em operações como a do colégio em Goiânia, em que os créditos no site possam se tornar uma alternativa para empresas que precisam lidar com inadimplência. A XporY.com recebeu incentivos do programa Tecnova, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Está nos planos do fundador fazer uma rodada de captação com investidores em 2020.

A partir da expansão para São Paulo e, posteriormente, outras cidades, a expectativa do empresário é que em dois anos a X por Y tenha a diversidade necessária para que as trocas sejam cada vez mais fluidas. Outra frente em que Barbosa espera crescer é em operações como a do colégio em Goiânia, em que os créditos no site possam se tornar uma alternativa para empresas que precisam lidar com inadimplência. A XporY.com recebeu incentivos do programa Tecnova, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Está nos planos do fundador fazer uma rodada de captação com investidores em 2020.

O mercado de permutas multilaterais deverá ser regulamentado nos próximos anos. Inicialmente, a questão seria tratada no mesmo projeto de lei que tramita no Congresso sobre cripto ativos. Porém, os temas foram desmembrados por se tratar de coisas diferentes. “No nosso caso, não é uma moeda de especulação, é uma moeda de trocas”, diz Barbosa.