A permuta sempre fez parte do cotidiano das pessoas. Arqueólogos sugerem que essa prática já era comum na pré-história, mais precisamente no período neolítico, marcado pelo surgimento da agricultura e da sedentarização humana há cerca de 10 mil anos. De lá para cá a prática cresceu, influenciada justamente pela troca de produtos entre agricultores e criadores de animais, sendo que um oferecia ao outro o produto que possuía e, assim, todos tinham uma boa variedade de alimentos e o próximo passo de de avanço nessa modalidade foi as Permutas Multilaterais onde as trocam começaram a ser feitas entre varias pessoas e não somente a que deseja o seu produto ou serviço.


A prática também era comum e se consolidou como a principal forma de negócios durante o Feudalismo. Como não existia um sistema monetário naquela época, o escambo era uma forma de abastecer a população do feudo com uma variedade de produtos. Dessa forma, se um morador dominasse a técnica da pesca e outro a da agricultura, eles poderiam realizar a troca desses alimentos entre si. Já o senhor feudal dava proteção aos seus vassalos e, em troca, estes deveriam prestar serviços aos feudos.


Esse tipo de negociação ganhou impulso em 2008, após uma grave crise financeira que atingiu os mercados de todo mundo. Segundo a International Reciprocal Trade Association (Irta), o negócio de permutas movimentou em 2019 cerca de US$ 14 bilhões. Em 2020, o assunto voltou com mais força, principalmente com a crise provocada pelo coronavírus e a consequente queda de recursos para abastecer o comércio em todo mundo.


O tipo de permuta mais conhecida e que se consolidou ao longo dos anos foi a permuta unilateral, onde uma pessoa troca um produto diretamente com outra pessoa. Porém, a evolução tecnológica permitiu a evolução dessa prática e, hoje em dia, começa a ganhar mais espaço as permutas multilaterais. Com ela, uma empresa pode fazer negócios com diversas outras empresas e não se limita apenas a uma troca direta. Isso porque plataformas de permutas multilaterais, que utilizam os avanços digitais, promovem a troca de produtos e serviços de milhares de empresas e profissionais liberais cadastradas em seu sistema entre si. Um exemplo de empresa que explora esse conceito é a XporY.com, lançada em 2014 para viabilizar as trocas multilaterais entre empresas de qualquer porte e profissionais liberais.


O modo de operação das plataformas de permutas multilaterais é simples. Para usar, basta se cadastrar no site ou aplicativo de empresas que oferecem esse tipo de serviço e ofertar seus produtos ou serviços, que poderão despertar a atenção de diversos outros membros cadastrados. Após concretizar a transação, o ofertante receberá em moeda digital válida no sistema de permutas, conforme previamente precificado pelo próprio permutante na plataforma. Com isso, ele poderá negociar com qualquer outra empresa ou profissional cadastrado na plataforma qualquer item de seu interesse, não necessariamente os oferecidos pela pessoa de quem ele adquiriu o bem ou serviço.


Para as empresas, as permutas podem ser uma ótima alternativa para acessar produtos e serviços sem onerar o caixa e movimentar vendas em épocas de grande ociosidade. Um exemplo prático são os hotéis, que mantém toda sua estrutura à espera do hóspede. Se ele não vem, perde-se o investimento. Por outro lado, se o estabelecimento comercializa parte das diárias em permutas multilaterais, justamente aquele percentual médio de ociosidade, ele passa a contar com um crédito em moeda digital para consumir em produtos e serviços que são usados em seu dia a dia, diminuindo o gasto com moeda corrente. E, o melhor de tudo, não deixa o quarto vazio. 


As permutas multilaterais são, em última instância, uma forma de aumentar o ganho das empresas ou profissionais. Pois, vale lembrar que o caixa positivo se dá pelo aumento das vendas ou pela diminuição dos gastos. Além disso, incentivam uma prática sustentável econômica e ambientalmente. Isso porque incentiva a troca de um produto que pode estar parado e que, muitas vezes, seria descartado na natureza sem grandes cuidados. Ao mesmo tempo, permite aumentar o potencial de consumo da população, que pode usar o que tem para ter o que precisa.