Imobiliárias anunciam permuta de imóveis e aceitam moeda digital em troca

Imobiliárias oferecem em permuta de imóveis seus lotes, em troca, usam o valor da moeda virtual, o “X$”, para adquirir materiais de construção, serviços de segurança e até em gerenciamento de rede social para empresa.

Em busca de alternativas na negociação de imóveis, imobiliárias de Goiânia estão fechando parcerias com uma plataforma digital que realiza permuta de imóveis em escambo digital. A ideia é que os produtos e serviços oferecidos no local sejam contabilizados em uma espécie de moeda digital — e exclusiva do aplicativo -, a X$. Com isso, é possível, por exemplo, adquirir lotes por meio de trocas.

A Tropical Urbanismo e Incorporação disponibilizou dois terrenos para venda em permuta em Aparecida de Goiânia e ambos foram comercializados em poucas horas.

“Todo mundo vende ou compra algo. O dinheiro em si é apenas uma espécie de moeda de troca. Então, se você vende algo que não tem interesse e troca por algo que você se interessa, isso sim faz sentido”, afirma Leandro Daher, diretor de empreendimento da Tropical Urbanismo e Incorporação.

O sócio da Palladium Imóveis, Vandson Mendes, conta que usa a plataforma há cinco anos e que vende alguns loteamentos no aplicativo. Ele afirma que usa o que ganha em X$ na compra de materiais de construção, ferramentas e até serviços como oficina.

“Eu uso a plataforma pela facilidade e por ter uma opção a mais nas negociações dos loteamentos. Na medida em que um lote é vendido, um outro já é reposto”, diz Vandson.

Atento a oportunidades

O empresário Henrique Junqueira foi um dos compradores de um dos terrenos disponibilizados na X por Y. Ele é dono de uma distribuidora de gás de cozinha e oferece o produto na plataforma.

O empresário comprou um terreno de 300 m² no Setor Santa Luzia, em Aparecida de Goiânia. Segundo ele, o X$ acumulado com a venda dos botijões de gás é usado no dia a dia, para alimentação e lazer.

“A possibilidade da plataforma é muito ampla. Posso usar o X$ em serviços de salão de beleza para minha esposa, em quiropraxia, um tipo de tratamento para a coluna, e até em gerenciamento de redes sociais e empresas de vigilância para minha empresa”, afirma Henrique.

Segundo ele, a vantagem maior é que se pode atingir um mercado e um público maior, ou seja, uma visibilidade mais ampla na sua área de atuação.

“Me cadastrei há 3 anos na plataforma e pretendo comprar mais imóveis por meio de X$. Coloco em média 30 botijões de gás por mês, o que gera cerca de X$ 3 mil a X$ 4 mil por mês”, diz o empresário.

Alternativa

O fundador da plataforma X por Y, Rafael Barbosa, explica que a negociação por meio do sistema de permuta de imóveis ajuda quem vende e também quem compra.

A ideia é uma aliada das empresas em cenários de dificuldade econômica. Segundo a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), nos últimos quatro meses, a venda de imóveis caiu no estado.

“A pessoa investe créditos de permuta em um patrimônio que irá se valorizar e render dinheiro”, conta Rafael.

Atualmente, a plataforma tem mais de 6.800 associados, que oferecem uma infinidade de produtos e serviços, tudo negociado em X$, moeda virtual que equivale a R$ 1.

“Os profissionais continuam produtivos, as empresas mantém o seu giro de estoque e, de quebra, aumentam seu poder de compra. Sem falar que a X por Y também funciona como uma vitrine para a empresa ou o profissional autônomo”, explica Rafael.

Não há custo na adesão à plataforma. Porém, na hora de consumir, é cobrada uma taxa de 10% em R$ sobre o valor da compra. O cadastro no serviço é gratuito, e pode ser feito pelo portal da X por Y, no aplicativo ou mesmo na loja física da empresa.

Além disso, novos associados podem fazer empréstimos em X$ e adquirir qualquer item oferecido. O valor emprestado em moeda digital poderá ser pago à medida em que o serviço ou produto ofertado for negociado.

Caso o empréstimo não seja quitado em X$ no prazo de 90 dias, o valor faltante deverá ser pago em dinheiro.

*Vanessa Chaves é integrante do programa de estágio entre TV Anhanguera e Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), sob orientação de Elisângela Nascimento.