O Real surgiu com o objetivo de acabar com a hiperinflação que atingia os consumidores brasileiros no início da década de 1990. Comandado pelo presidente Itamar Franco juntamente com o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, a moeda substituiu o Cruzeiro Real e iniciou uma nova fase da economia brasileira. Isso porque o Plano Real foi o responsável por estabilizar a economia, reduzir a inflação e dar mais poder de compra para a população brasileira, surgindo posteriormente as moedas alternativas.



Apesar de ter contribuído para estabilizar a economia nacional, a moeda corrente não foi capaz de solucionar algumas questões sociais locais, que acabaram por incentivar o surgimento de moedas alternativas na economia de algumas regiões. A desigualdade social e a necessidade de desenvolver algumas economias locais e de bairros, por exemplo, contribuíram para o surgimento das moedas sociais, que aparecem como alternativa para se alcançar o desenvolvimento econômico da região que dificilmente seria alcançado usando apenas a moeda oficial. 



As moedas restritas a regiões, ou seja, não são aceitas em outros territórios do País, incentivam o consumo local e, consequentemente, fazem com que o comércio regional ganhe ainda mais força e se desenvolva. Para o consumidor também passa a ser mais vantajoso porque os comerciantes passam a dar desconto para quem decide comprar produtos com essas moedas.



Como são restritas a apenas uma região, as moedas alternativas buscam maior desenvolvimento da economia local, complementando a moeda nacional sem a substituir. O processo de produção e distribuição dessa moeda é estabelecido pela comunidade e contribui para a proteção da cultura e dos valores das pequenas comunidades, agindo contra os efeitos da globalização.



No Ceará, a moeda Palma é um grande sucesso e em 2012 já circulava por 28 municípios e bairros do estado. A Palma surgiu em um bairro de Fortaleza, o Conjunto Palmeiras, criada pelo Banco Palmas, com o objetivo de alavancar o crédito de trabalhadores informais e pequenos empresários. Outra vantagem da moeda social é que os bancos comunitários podem emprestar valores nessa moeda para os moradores da comunidade que não possuem acesso às linhas de crédito das instituições bancárias tradicionais, permitindo a democratização de crédito e a ampliação de investimentos locais.



A operação não tem problemas com o Banco Central do Brasil, que permite a circulação das moedas sociais no País, desde que a circulação seja apenas local e lastreadas pelo Real. Até 2016, 104 moedas sociais já circulavam no Brasil, cada uma emitida por um banco comunitário diferente.



Durante a pandemia provocada pela Covid-19, a moeda ganhou ainda mais força, movimentando no primeiro semestre de 2020 mais de R$ 8 milhões no Ceará, um crescimento de mais de 60% se comparado ao mesmo período de 2019. Além disso, a moeda incentiva o consumo local. No banco social, o consumidor troca os reais pela moeda em circulação no bairro, inclusive com empresas pagando parte do salário com a moeda. Para estimular o consumo local, os empresários e comerciantes oferecem descontos para quem opta por consumir com a moeda e, por sua vez, os bancos comunitários podem ofertar empréstimos sem juros.



Outra moeda alternativa que tem ganhado força, mas de forma digital, são as moedas virtuais utilizadas pelas plataformas de permutas multilaterais. Neste processo, trocas são realizadas por uma rede de empresas e profissionais liberais, responsável por movimentar de 12 a 14 bilhões de dólares, segundo a International Reciprocal Trade Association (IRTA).



Para regular as transações do grupo de permutas, empresas intermediárias criam as moedas virtuais para facilitar a precificação dos produtos. Um exemplo de intermediadora é a plataforma de permutas multilaterais XporY.com, que atua no segmento com a moeda virtual denominada X$. O método de funcionamento é bem simples. Uma empresa coloca produtos ou serviços para troca na plataforma e precifica o valor de sua oferta. Outra empresa participante do sistema pode adquirir o produto e, com isso, o ofertante recebe em X$ que serão usados para adquirir novos produtos ou serviços dentro da plataforma sem usar dinheiro.



Dessa forma, as permutas também podem ser importantes para a economia durante um período de grande instabilidade na economia. Com muitas empresas paradas e o estoque sem movimento, as famosas permutas permitem que os negócios impactados pela pandemia, por exemplo, se mantenham ativos e com os gastos reduzidos, já que não precisará gastar muito dinheiro para adquirir insumos por meio desse sistema.



As moedas sociais e as virtuais são exemplos de como as moedas alternativas podem ser soluções em momentos de crise ou para incentivar o consumo e o desenvolvimento em uma determinada região. A pandemia do coronavírus pode impulsionar ainda mais essas práticas em um momento em que o dinheiro está circulando menos em nossa economia.



Outra moeda que ganhou destaque nos últimos meses foi o Bitcoin. Essa criptomoeda descentralizada é considerada um sistema econômico alternativo e sua aquisição pode ser feita com a mineração por meio de um computador específico, as exchanges com sites que reúnem compradores e vendedores das criptomoedas em um ambiente seguro e a compra direta de bitcoins com outras pessoas sem a intermediação das exchanges. Como criptomoeda, é uma moeda de troca que se usa da criptografia para realizar transações onlines.