No lugar do dinheiro, a permuta através dos grupos de trocas. Em tempos de crise, é assim que grupo de empresários têm sobrevivido ao desafio da queda do dinheiro em circulação no comércio. Essa prática tem se tornado cada vez mais comum, principalmente com o advento das novas tecnologias, que permitiram nos últimos anos mais proximidade social. As redes sociais e outras plataformas onlines de compra coletiva e trocas são exemplos de como são formados os novos grupos na atualidade e como se dá a nova dinâmica social.



Essas novidades impactam positivamente a economia. Se um empresário encontra dificuldades para vender seus produtos ou seus serviços de maneira tradicional, ou seja, por meio do pagamento em dinheiro, ele pode se juntar a outros profissionais na mesma condição e fazer permuta. Nas redes sociais, existem diversos grupos de troca que unem profissionais dos mais variados segmentos que se disponibilizam em trocar produtos e serviços. 



Os benefícios são variados para os participantes desses grupos de trocas, entre eles a economia, por não precisar pagar em dinheiro para adquirir um produto na plataforma; movimentação de estoques e geração de valor a seu trabalho mesmo em um momento de dificuldade econômica. Um exemplo pode ser um hotel com baixa taxa de ocupação. O dono do hotel pode, por exemplo, trocar diárias com um prestador de serviços da área de marketing, jurídica, contábil etc. 



Algumas empresas têm se especializado nesse tipo de economia alternativa e ampliando ainda mais as possibilidades de troca. As chamadas plataformas de permutas multilaterais aproveitam a tecnologia para dar liberdade aos permutantes, que não dependem mais que um queira a oferta do outro para a troca acontecer. Seus produtos ou serviços podem ser adquiridos mesmo por quem não fez a troca direta com ofertante, graças a uma moeda digital criada para ser usada entre os participantes do grupo.



Voltando ao exemplo do hotel, suas diárias não precisam ser permutadas por quem, necessariamente, possui uma relação comercial direta com o estabelecimento (como o assessor jurídico, citado em nosso exemplo). Hipoteticamente, elas podem ser consumidas pelo dono de uma loja de ternos, que também participa do grupo de trocas e recebeu em moeda digital as compras de novas roupas do assessor jurídico. Esse, por sua vez, está gastando os créditos recebidos na moeda digital por sua assessoria jurídica ao hotel.



Alguns grupos de permutas têm se tornado cada vez mais populares nas redes sociais. No Facebook, por exemplo, já é possível encontrar grupos com mais de 20 mil pessoas cadastradas e com alcance nacional. Com mais de 2 bilhões de usuários, a rede social criada por Mark Zuckerberg passou a dar prioridade para a formação de “comunidades”, como os grupos, criados em 2010 e que passaram a ganhar mais força em 2017, quando passou a incentivar a reunião de pessoas em torno de gostos comuns.



O Facebook tinha até 2017 cerca de 100 milhões de usuários participando dos grupos, movidos principalmente por comunidades de igrejas e de bairros. Porém, a companhia passou a incentivar o maior envolvimento de pessoas com interesses em comum, como aqueles que discutem sobre esportes, maternidade, alimentação, oportunidades de emprego e também grupos de trocas pela internet.



Os números do Whatsapp também são bem significativos. Em 2019, a plataforma tinha mais de 2 bilhões de usuários em mais de 180 países. Só no Brasil, 120 milhões de pessoas usam o aplicativo. Desses, 98% usam o Whatsapp diariamente e, segundo pesquisa realizada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em 2019, 79% dos brasileiros usam o aplicativo como a principal fonte de informações e também foram grupos para discussão de assuntos de interesse, trocas e desapego.



Diante da importância desses meios de comunicação, algumas empresas têm apostado nessas evoluções da tecnologia para atingir com mais precisão os interesses de seus clientes. É o caso por exemplo, da plataforma de permutas multilaterais XporY.com. Em sua plataforma, os ofertantes colocam produtos e serviços para transações tendo como parâmetro de precificação uma moeda digital chamada X$, que equivale ao Real, ou seja, cada 1 X$ equivale a R$ 1,00. Para entrar na plataforma, o membro não paga nenhuma taxa mensal de manutenção ou comissão. Somente na hora do consumo que se paga 10% em Reais sobre o valor da troca.



Uma das grande vantagens dessa plataforma é o uso das redes sociais. Para auxiliar seus membros a direcionar melhor as suas ofertas, a plataforma usa grupos no Whatsapp para que as ofertas cheguem às pessoas que mais necessitem dos serviços e produtos disponibilizados na plataforma. Esse processo contribui para todas as partes envolvidas: o ofertante, que consegue fechar o negócio mais rapidamente ao direcionar o produto com maior assertividade para seu público-alvo; o comprador, que consegue achar o produto ou serviço de maneira rápida; e a própria plataforma, que ganha mais reconhecimento por parte dos membros cadastrados em seu banco de dados.